 Membros do Grupo de Samba de Bumbo 13 Maio, composto por membros da comunidade local, animaram o público na última edição da Festa do Cururuquara. O evento, que aconteceu no último sábado (16/05), celebrou a Abolição dos Escravos no Brasil e o Dia de São Benedito, com procissão, missa e apresentações musicais.
O município de Santana de Parnaíba foi palco, na noite do último sábado (16/05) de mais uma edição da tradicional Festa do Cururuquara. O evento, que é realizado pela Prefeitura local, completou 122 anos e celebrou a Abolição da Escravatura no Brasil, assinada em 13 de maio de 1888, e o Dia de São Benedito, o Santo Protetor dos Escravos. O bairro – localizado no quilômetro 40,5 de Rodovia Castelo Branco, sentido São Paulo – abrigou um público aproximado de 500 pessoas.
A festa teve início por volta das 18h30, com duas procissões, uma em devoção a São Benedito e outra a Nossa Senhora do Carmo. Elas se encontraram no caminho e seguiram até a Capela Maior do bairro, onde, em seguida, foi celebrada a Missa.
Após a missa, os participantes do evento, muitos deles descendentes de escravos, assistiram à apresentação do Grupo de Samba de Bumbo 13 de Maio e da dupla sertaneja Rodrigo Oliveira e Ricardo, seguido de show pirotécnico – que marcou o encerramento das comemorações ao Santo Padroeiro do bairro. “A Festa do Cururuquara faz parte da história de minha família, tanto que não perco uma. Todo ano, faço questão de celebrar a data, junto com meus primos, filhos, netos e amigos”, justifica Maria Novaes Soares, de 81 anos, que nasceu e viveu a maior parte de sua vida no bairro e há 15 anos reside no município de Itapevi.
Durante a cerimônia, o secretário municipal de Cultura e Turismo Luís Alexandre Chiló ressaltou a importância do evento para o município: “A festa representa o resgate de uma tradição bastante antiga em Santana de Parnaíba, que vem sendo mantida ao longo destes 122 anos. O mais interessante é que todo ano membros da comunidade local se reúnem para marcar mais um capítulo na história da cidade”.
Já a nutricionista Maria Aparecida Luccas da Costa, de 51 anos e moradora de Itapevi, que participa do evento pela primeira vez, acredita que esta é uma forma muito bela de se resgatar e manter a cultura do bairro. “Além de conservar a tradição do Cururuquara, que eu acompanho há dois anos e meio, por meio do trabalho que realizo com a comunidade pela Pastoral da Criança, estimula bastante os moradores, por fazer parte da história de cada um”, afirma. Também estiveram presentes no evento o presidente da Câmara Municipal Régis Salles e os vereadores Chiquinho Miguel e Carlos Fernando Siqueira Rosin.
Histórico da Festa
Os primórdios da festa têm início com a assinatura da Lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888. Muito felizes com o acontecimento, os escravos de Nhô Bueno foram até a Capela de São Benedito, conhecida como Capela das Palmeiras, para agradecer a liberdade. Segundo a história, os negros permaneceram no local durante quatro dias, dançando, cantando e tocando samba de bumbo. Em louvor ao santo, eles plantaram quatro coqueiros em frente à capela. Desde então, os ex-escravos e seus descendentes passaram a se reunir no mesmo local, todos os anos, para lembrar a data.
Antigamente, a imagem de São Benedito permanecia por um ano na casa de um dos moradores do bairro. E, sempre no dia 13 de maio, os fiéis iam até o local onde o santo estava hospedado e o levava até a Igreja. Depois da missa e das festividades, a imagem seguia em cortejo até a casa de outro morador.
Anos depois, começaram a ser realizadas duas procissões, que se encontravam no meio do caminho e seguiam juntas até a igreja. Com a doação da imagem de Nossa Senhora do Carmo, no final da década de 60, uma das procissões começou a sair da Igreja de São Benedito, com a imagem da santa, e a outra da Capelinha, com a de São Benedito.
Mais tarde, foram incluídos na festa os violeiros, assim como o leilão de prendas e a quermesse. Com o dinheiro arrecadado nas festas, foi construída a Igreja atrás da centenária Capela de São Benedito, no final da década de 60.
Texto: Maíra Hirose – Mtb 42.244
Crédito: Roberto Andrade
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